O Barão não perguntava se alguém podia pagar. Perguntava apenas qual seria a próxima garantia.
Antes do terno roxo e dos anéis dourados, ele era conhecido como Beto da Xerox. Trabalhava numa pequena papelaria imprimindo currículos, segunda via de contas e convites de aniversário. Foi ali que percebeu o poder de um documento bem diagramado: qualquer promessa parecia oficial quando vinha com logotipo, linha digitável e espaço para assinatura.
Começou emprestando pequenas quantias para comerciantes. Em vez de ameaças, usava gentileza, café forte e contratos longos. O problema era a última página. Sempre havia uma cláusula que ninguém tinha lido — e ela geralmente acordava às três da manhã, multiplicando o valor devido.
O império dos vencimentos
Quando os Agiotas se organizaram como facção, Beto já controlava metade dos caderninhos da região. Recebeu o título de Barão do Boleto depois de cobrar uma dívida usando um documento tão convincente que até o devedor o parabenizou pela apresentação.
Na Capital, dizem que o Barão nunca dorme. A verdade é mais simples: ele dorme muito bem. Quem não dorme são as dívidas.
“Juros são só a memória do dinheiro.”
Na mesa de jogo
O Barão causa pressão imediata e continua cobrando ao longo dos turnos. Seu estilo é típico da facção Agiota: transformar pequenos ganhos em um problema crescente para o oponente.